Autor: Dr. Denis Alexander
Fonte: The Guardian
Tradução: Alexandre Zabot
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Que o design inteligente deva ser ensinado como uma alternativa à evolução não só é uma ciência muito ruim, é anti-cristão também.
A aula de ciências nas escolas é para o ensino do currículo de ciências, não para o ensino de ideias não-científicas. A ciência não deve ser carregada com excesso de bagagem ideológica. As teorias científicas são limitadas no seu escopo de explicações para a tarefa em mãos: proporcionar mapas conceituais que tornam dados específicos em conjuntos coerentes. E é assim que elas devem ser ensinadas.
A evolução darwiniana é a melhor explicação que temos de explicar as origens de toda a diversidade biológica, tanto do passado quanto do presente. Não existe atualmente nenhuma teoria séria rival, embora haja muito debate sobre os detalhes.
Infelizmente desde Darwin a evolução tem sido frequentemente utilizada em apoio a uma vasta gama de agendas sociais, políticas e religiosas, muitas delas mutuamente exclusivas, incluindo o capitalismo, o comunismo, a eugenia, o racismo, teísmo, ateísmo, feminismo e militarismo. Como George Bernard Shaw disse certa vez: Darwin “teve a sorte de agradar a todos que tinham algo a disputar com alguém”. Portanto, é importante que a evolução deva ser ensinada como uma teoria científica e não com qualquer “ismo” anexado.
Alastair Nobre sugeriu recentemente que o “design inteligente” deve ser ensinado nas aulas de ciência como uma alternativa à evolução, uma vez que representa ciência e não religião. O design inteligente é a ideia de que algumas entidades biológicas (como o flagelo das bactérias) são tão complexos que não poderiam ter surgido por um processo evolutivo gradual. São, portanto, considerados “irredutivelmente complexos”, e então mostram um “design”, apontando assim para um “designer”.
Como o design inteligente é uma exportação dos EUA para o Reino Unido, é salutar estudar as tentativas de levar o ensino do design inteligente às salas de aula nos EUA. Isto levou ao famoso julgamento de Dover (2005), presidida pelo juiz Jones, um praticante luterano nomeado pelo presidente Bush. Após exaustiva investigação, o juiz determinou que o design inteligente não podia ser ensinado em sala de aula porque não era “ciência” e não “cumpria as regras básicas essenciais que limitam a ciência às explicações naturais verificáveis”.
Acho que o juiz Jones estava correto em sua decisão. É uma simples questão de fato que o design inteligente não faz parte da ciência contemporânea. As ideias científicas ganham aceitação não pelo voto público, mas através do difícil caminho de publicação revisada por pares em revistas científicas. Como o design inteligente não leva à ideias testáveis (como você testar a ideia de que o flagelo é “projetado”?), não surpreendentemente ele não gerou nenhum programa de pesquisa frutífero.
Assim, o ensino do design inteligente nas aulas de ciência como se ele fosse considerado pela comunidade científica como uma teoria rival à evolução seria enganoso. A principal preocupação dos cristãos é dizer a verdade sobre a criação de Deus. Na verdade os cristãos que são cientistas veem isso como parte de sua adoração. Claro que todos nós sabemos que as teorias científicas não nos fornecem com a história “final” – teorias se desenvolvem como cresce a nossa compreensão. Mas a educação científica praticada com integridade irá transmitir a ciência atual, não algum modismo privada do professor.
Há ainda outra razão pela qual os cristãos são contra o ensino do design inteligente: porque promove uma não-compreensão cristã de Deus como criador. Na compreensão cristã, Deus é visto como o compositor e maestro de toda música “da vida” em toda a sua inteireza. Ao invés disso o design inteligente promove um “designer-das-lacunas” no qual o “designer” é usado para preencher as lacunas no conhecimento científico atual, um “designer” que irá inevitavelmente desaparecer à medida que as lacunas forem preenchidas.
Certamente discuta-se tais ideias religiosas e filosóficas nas aulas de educação religiosa ou de filosofia. Mas vamos manter a aula de ciências para a ciência.
O Dr. Denis Alexander é o Diretor do Faraday Institute for Science and Religion, e Fellow do St Edmund’s College, em Cambridge; é também Senior Affiliated Scientist no Babraham Institute, em Cambridge, onde foi anteriormente chefe do Programa de Imunologia Molecular e do Laboratório de Sinalização e Desenvolvimento de Linfócitos. O Dr. Alexander é também Editor da revista Science & Christian Belief e autor de Rebuilding the Matrix – Science and Faith in the 21th Century (Lion, 2001).


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